sexta-feira, 1 de junho de 2012

Bonfire

Festa junina, crianças correndo, pessoas dançando, brincando, rindo.

No frio do mês de junho uma fogueira de São João foi acesa, grandiosa e quentinha.

Um garotinho de não mais de 4 anos estava brincando perto da fogueira. Estava procurando estalinhos que não tivessem estourado, seu rosto passava perto do fogo. Agachado, sorridente e sozinho.

Seus pais estavam na fila para comprar fichas, a fila era enorme.

Um casal bêbado dançava perto do garoto, tinham tomado muito quentão.

E uma simples "bundada" da garota bêbada fez o menino cair no fogo.

Gritos, vinham do garoto no meio das chamas, todos pararam para ver aquele acontecimento horrendo.

Gritos, gritos e mais gritos. O desespero, a dor. Ninguém se movia.

O choque, a curiosidade. Nenhum músculo foi movido pelos espectadores. Alguns queriam esconder os rostos, mas em suas cabeças a imagens continuava.

A curiosidade mórbida prendia as pessoas, não as deixava ajudar ou continuar a vida.

Os pais vieram correndo, o pai tentava pegar o garoto mas a pele já havia grudando na brasa, a mãe estava  paralisada com as mão sobre a boca, tapava um possível grito.

O garoto morre sem ser socorrido, a ideia de apagar o fogo nunca passou pela cabeça daqueles humanos curiosos.

Gritos primitivos saem dos pais perguntado o motivo de tudo e do nada.

Os curiosos satisfeitos voltam as suas vidas, o fogo é apagado e o mundo volta a girar.

<3

Hanged

Era um garoto de uma família bipolar, hipocondríaca, maluca. Parecia que ninguém se importava com os outros, não ligava para a existência dos moradores da casa, mesmo possuindo os mesmos genes. Mas aos olhos despreparados, era somente uma grande família.

A uma semana procurava cordas pelos cantos da casa, e ao achar a mais comprida, resistente, confiante, passou a andar com ela enrolada na mão.

A família ficava a maior parte do tempo quieta, mas por qualquer motivo passava a uma gritaria ensurdecedora. Gritos, choro, vidro ou louça quebrando. Era o único motivo para a quebra do silêncio.

O menino nunca foi sociável, sorridente, confiante. Des da infância era quieto, medroso. Mesmo agora no inicio de sua vida adulta, ficava isolado.

A corda enrolada na mão era um conforto, passava a mão sobre ela quando começava a escutar a gritaria.

Chorava internamente encolhido no quarto. Estava cansado daquela vida.

Depois de um jantar em família, enquanto todos fumavam seus cigarros, a fumaça saia de suas bocas e de uma das bocas saiu uma faca. Direta e reta para o garoto.

-O que é essa corda?- olhando com o canto dos olhos para o garoto.

Se recolheu na cadeira, apertou as mãos e a corda contra o peito.

-Não é nada.-Sorri com a cabeça baixa.

A família não liga. Todos vão para seus quartos, não querem mais saber de nada além da cama.

O garoto sentado na cama se levanta como alguém que só vai pegar água na cozinha ou qualquer coisa do gênero. Vai para a lavanderia, amarra a corda na barra que o irmão usava para se exercitar, faz um nó que somente após horas lendo tutorias seria possível.

Respira fundo. Não queria pensar em nada, somente agiu. Pegou o banquinho que a empregada usava para descansar e subiu. Colocou a corda no pescoço, começou a balançar.

O banco caiu, o corpo caiu. Um estalo se ouviu, mas ninguém viu.

Pela manhã,  corpo pendurado, o irmão assustado, o grito de desespero, o choro.

O silêncio havia sido quebrado, mas não foi por conta de brigas, vidros.

Foi pela importância tardia por um ente querido.

<3

terça-feira, 17 de abril de 2012

Fuck it


Aprendeu desde pequeno valores, aprendeu o que era certo, o que era errado e fazia tudo conforme a música tocava.


Não saia da linha, tinha um linha de pensamento rectilínea e por esse motivo não fazia o que realmente queria, fazia o que era  certo.


A vida tediosa, as roupas certinhas da moda de Paris.


A busca pelo diploma, a constante tentativa de agradar quem não merecia.


Em um breve respiro de liberdade sentiu, sentiu um prazer maior do que o de tomar um sorvete no verão ou um banho quente depois de um dia cansativo de trabalho.


Naquela breve respiração sua mente se abriu para possibilidades, a desejos.


Rebelou-se, foi feliz, decidiu que não gostava de garotas como a sociedade lhe mandava gostar.


Finalmente feliz, finalmente vivo, levou um tiro no peito por não seguir mais a linha.


Mas aquela pequena fração de vida valeu a pena.
<3

domingo, 8 de abril de 2012

Ciúmes

Um segundo em seus braços, os corpos quentes em contato naquele dia frio em pleno verão.

Para um era simplesmente um abraço, um abraço forte da mais feliz e pura amizade.

Para o outro, um contato humano, algo que lhe fazia sentir mais humano.

Somente um segundo de contato entre corpos, vários milésimos juntos formando outros segundos de lâmina em contato com a pele, carne e sangue.

A sanidade criada em uma pequeno abraço sendo dispersada pelas facadas.

O rosto de dúvida, o que havia ocorrido?

O que tinha feito de errado?

O sangue da pessoa mais perfeita e incansável sujava o chão da cozinha.

O sangue rubro de um coração feliz.

<3